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Dossiê técnico · AVAC

O estudo da ventilação natural

Ventilar e arrefecer sem ventilador, explorando dois motores gratuitos: o calor e o vento. Compreender a tiragem térmica, o efeito do vento e o dimensionamento dos vãos, e porque é que a CFD é a ferramenta de referência para o garantir.

Leitura 10 min Nível Iniciação Sem abordagem comercial
Torre de vento — ventilação natural por tiragem térmica
Torre de vento — ventilação natural explorada há séculos
01 — Introdução

Ventilar e arrefecer sem energia

Antes da climatização, os edifícios respiravam sozinhos: torres de vento, grandes claraboias, vãos passantes. A ventilação natural explora forças gratuitas, o calor e o vento, para renovar o ar e evacuar os sobreaquecimentos, sem consumir a mínima energia.

Mas a sua aparente simplicidade esconde uma verdadeira exigência de engenharia: um dispositivo mal dimensionado não ventila, ou volta-se contra o conforto. A questão é garantir o caudal em todas as condições de estação e de vento.

02 — Definição

O que é a ventilação natural?

Definição

A ventilação natural é a renovação do ar de um espaço sem recurso a um ventilador, apenas sob o efeito de diferenças de pressão naturais: as criadas pela diferença de temperatura (tiragem térmica) e pela ação do vento sobre a envolvente.

Pode ser passante (entradas e saídas em fachadas opostas), por tiragem (entradas baixas, saídas altas) ou mista. A sua eficácia depende inteiramente da posição e da dimensão das aberturas e da altura entre entradas e saídas.

03 — Os motores

Dois motores: o calor e o vento

A ventilação natural assenta em dois fenómenos, que podem reforçar-se ou opor-se conforme a configuração:

A tiragem térmica

  • O ar quente, mais leve, sobe e escapa-se pela parte alta.
  • Ar fresco entra pela parte baixa para o substituir.
  • Motor dominante no verão e nos grandes volumes.

O efeito do vento

  • Sobrepressão a barlavento, depressão a sotavento e na cobertura.
  • Esta diferença « empurra » o ar através do edifício.
  • Motor potente mas variável conforme a meteorologia.
04 — Tiragem térmica

A tiragem térmica, ou efeito de chaminé

Quando o ar interior está mais quente do que o ar exterior, a sua massa volúmica diminui: torna-se mais leve e sobe. Numa dada altura, esta diferença cria uma diferença de pressão motriz:

ΔP = ρ · g · H · (ΔT / T)
ρ massa volúmica do ar · g gravidade · H altura entre entrada e saída · ΔT diferença de temperatura interior/exterior · T temperatura absoluta. Quanto mais alto for o edifício e mais quente o ar, mais forte é a tiragem.

É este princípio que encontramos nas torres de vento, nas claraboias e nas naves industriais: uma grande altura livre transforma uma pequena diferença de temperatura num caudal de ar significativo.

Dossiê dedicado: o efeito de tiragem térmica
05 — Efeito do vento

O efeito do vento sobre a envolvente

O vento que encontra o edifício cria um campo de pressão: sobrepressão na fachada exposta, depressão nas fachadas laterais, na cobertura e na face a sotavento. Ao colocar entradas de ar na zona de sobrepressão e saídas na zona de depressão, transforma-se esse campo em motor de ventilação.

O efeito do vento é mais potente do que a tiragem, mas também mais variável: direção e velocidade mudam permanentemente. Um bom dispositivo mantém-se eficaz qualquer que seja a orientação do vento, o que implica estudar todas as direções.

Sabia que?

Os dois motores podem contrariar-se

Com vento forte, o efeito do vento pode inverter o sentido esperado da tiragem térmica e criar contracorrentes. É todo o interesse da simulação: verificar que o caudal se mantém correto em todas as combinações de estação e de vento, e não apenas no caso ideal.

06 — Dimensionamento

Dimensionar os vãos

O caudal de ar natural depende da superfície livre das aberturas, do seu posicionamento e da altura entre entradas e saídas. O dimensionamento procura um compromisso:

Abertura suficiente

  • Garantir o caudal higiénico e a evacuação dos sobreaquecimentos.
  • Superfícies de entrada e de saída equilibradas.

Nem abertura excessiva

  • Evitar as correntes de ar e as perdas no inverno.
  • Controlar o ruído, a chuva e a segurança.

Os ábacos regulamentares dão uma primeira ordem de grandeza, mas ignoram a geometria real e os obstáculos internos. Num grande volume ou numa forma complexa, só a simulação decide.

07 — CFD

A CFD para garantir o caudal natural

A simulação CFD reproduz o edifício, a sua altura, os seus vãos e o seu ambiente, e calcula depois o caudal de ar real e as temperaturas em todos os pontos, para cada estação e cada direção de vento. Verifica-se assim o conforto de verão, posicionam-se as aberturas e testam-se variantes antes da construção.

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