Dossiê técnico · Centro de dados

Cálculo do PUE de um centro de dados

O PUE (Power Usage Effectiveness) é o indicador de referência da eficiência energética de um centro de dados. Definição, fórmula, método de medição normalizado, benchmarks, alavancas de otimização e calculadora interativa: o guia completo.

Leitura 18 min Nível Intermédio Calculadora interativa
Simulação CFD interna de um centro de dados — distribuição térmica das salas de servidores
Simulação CFD interna — distribuição térmica de um centro de dados
01 — Definição

O que é o PUE?

O PUE, de Power Usage Effectiveness, é o indicador de referência para medir a eficiência energética de um centro de dados. Responde a uma pergunta simples: por cada quilowatt-hora realmente útil aos servidores, quanto consome a instalação no total?

Introduzido em 2007 pelo consórcio The Green Grid, o PUE impôs-se como a linguagem comum do setor. Foi desde então normalizado a nível internacional pela norma ISO/IEC 30134-2, que fixa a sua definição, o perímetro de medição e as categorias de leitura. O seu êxito deve-se à legibilidade: um número único, sem dimensão, compreensível tanto por um operador como por uma direção-geral.

Definição

O PUE é a razão entre a energia total consumida por toda a instalação (servidores, arrefecimento, distribuição elétrica, iluminação…) e a energia consumida apenas pelos equipamentos informáticos. É um número superior ou igual a 1: quanto mais se aproxima de 1, mais eficiente é o centro de dados.

O PUE não mede o desempenho dos próprios servidores: mede o sobrecusto energético da infraestrutura que os envolve. Um PUE de 1,5 significa assim que, por 1 kWh entregue à informática, mais 0,5 kWh é consagrado ao arrefecimento, às perdas elétricas e aos serviços gerais.

02 — A fórmula

A fórmula do PUE

O cálculo baseia-se em duas grandezas medidas no mesmo período — idealmente um ano completo, para integrar as variações sazonais do arrefecimento.

PUE = Energia total da instalaçãoEnergia dos equipamentos TI
Energia total: tudo o que entra no centro de dados (TI + arrefecimento + perdas elétricas + iluminação + segurança…).
Energia TI: servidores, armazenamento e equipamentos de rede, medidos o mais perto possível da sua alimentação.

A eficiência exprime-se por vezes de forma inversa, através do DCiE (Data Center Infrastructure Efficiency): DCiE = 1 / PUE, expresso em percentagem. Um PUE de 1,5 equivale a um DCiE de cerca de 67 % — ou seja, 67 % da energia chega efetivamente à informática.

A reter

Uma razão, não um consumo

O PUE é adimensional. Não diz nada sobre a dimensão do centro de dados nem sobre a sobriedade dos servidores: qualifica unicamente a eficiência da infraestrutura. Dois centros com PUE idêntico podem ter consumos absolutos muito diferentes.

03 — Benchmarks

Como ler um PUE?

Um PUE só faz sentido quando comparado com ordens de grandeza. A média mundial, medida todos os anos pelo Uptime Institute, estagna em torno de 1,5 a 1,6 desde vários anos, após uma forte melhoria na década de 2010. Os melhores operadores hyperscale atingem 1,1, ou mesmo menos, graças ao free cooling e a uma conceção otimizada de ponta a ponta.

Ordens de grandeza indicativas do PUE segundo o tipo de instalação.
PUENível de eficiênciaPerfil de instalação típico
1,0 – 1,2ExcelenteCentros de dados hyperscale, free cooling, arrefecimento líquido, conceção nova otimizada
1,2 – 1,4Muito bomCentros recentes bem concebidos, confinamento de corredores generalizado, clima favorável
1,4 – 1,6Na médiaParque mundial médio, salas corretamente exploradas mas com margem de melhoria
1,6 – 2,0A otimizarInstalações envelhecidas, ausência de confinamento, sobredimensionamento
> 2,0CríticoInstalações antigas não concebidas para TI, arrefecimento mal controlado, forte subcarga

Atenção: um PUE baixo só se compara honestamente em condições equivalentes. O clima local, a taxa de carga, o nível de redundância e o perímetro de medição influenciam fortemente o valor. Um centro nórdico em free cooling partirá sempre com uma vantagem estrutural sobre um centro situado em zona quente e húmida.

04 — Medição

As categorias de medição do PUE

Toda a credibilidade de um PUE reside em onde e como se mede. A norma ISO/IEC 30134-2, herdeira das categorias da The Green Grid, distingue vários níveis de rigor, do mais aproximativo ao mais fiável. Quanto mais o ponto de medição da energia TI se aproxima dos servidores, mais representativo é o PUE.

Categoria 1 — medição à saída da UPS

A energia TI é lida à saída da UPS, muitas vezes a partir de uma leitura pontual ou da carga de pico. Simples, mas sobrestima a energia útil (as perdas dos PDU e das cablagens são contadas como TI) e, por isso, subestima o PUE real.

Categoria 2 — medição nos quadros de distribuição (PDU)

A leitura desce ao nível das unidades de distribuição elétrica, o mais perto possível dos bastidores. As perdas de distribuição ficam melhor separadas da TI: a medição ganha em precisão.

Categoria 3 — medição à entrada dos equipamentos TI

A energia é medida à entrada dos próprios servidores, em continuo ao longo do ano. É a medição mais fiável e mais exigente: reflete fielmente o rendimento real de toda a cadeia energética.

Em todos os casos, a regra de ouro é a medição contínua ao longo de 12 meses: um PUE lido num dia de inverno nada tem a ver com o mesmo centro em plena onda de calor estival, quando o arrefecimento funciona a pleno regime.

05 — Repartição

Para onde vai a energia de um centro de dados?

Compreender o PUE é, antes de tudo, compreender o que se esconde no « sobrecusto » não-TI. Num centro com PUE ≈ 1,6, a energia fora da informática reparte-se grosso modo assim:

Arrefecimento

  • Primeira rubrica não-TI, muitas vezes 30 a 40 % da energia total
  • Chillers, CRAC/CRAH, bombas, torres de arrefecimento, ventiladores
  • É o principal potencial de otimização

Distribuição elétrica

  • Perdas das UPS, transformadores, QGBT e PDU
  • Tipicamente 8 a 12 % segundo o rendimento e a taxa de carga
  • Otimizável com UPS de alto rendimento e o modo eco

Serviços gerais

  • Iluminação, segurança, supervisão, instalações anexas
  • Parcela menor mas não desprezável ao longo do ano
  • Ganhos rápidos com LED e comando automático

A hierarquia é clara: agir sobre o arrefecimento é de longe a alavanca mais poderosa para baixar um PUE. É precisamente aí que a simulação aeráulica e térmica traz mais valor.

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06 — Alavancas

As alavancas de otimização do PUE

Reduzir um PUE quase nunca passa por uma medida única, mas pela acumulação de ganhos em toda a cadeia. Eis as alavancas mais eficazes, da mais rentável à mais estruturante.

1. Dominar os escoamentos de ar

O confinamento dos corredores quentes e frios, a obturação dos espaços livres nos bastidores (blanking panels) e um bom equilíbrio de pressão evitam o bypass (ar frio desperdiçado) e a recirculação (ar quente que volta aos servidores). É o ganho mais rápido e menos oneroso.

2. Elevar as temperaturas de referência

As gamas alargadas recomendadas pela ASHRAE autorizam temperaturas de insuflação mais elevadas do que antigamente. Cada grau ganho na temperatura de referência abre mais horas de free cooling e reduz a fatura dos chillers.

3. Explorar o free cooling

O arrefecimento « gratuito » — aeráulico (ar exterior) ou hidráulico (água) — permite, em clima favorável, desligar os chillers durante grande parte do ano. É o principal fator dos PUE recorde dos centros nórdicos.

4. Passar ao arrefecimento líquido

Para as densidades elevadas (IA, HPC), o direct-to-chip e a imersão evacuam o calor muito mais eficazmente do que o ar e reduzem drasticamente a energia de arrefecimento — abrindo ao mesmo tempo caminho à valorização do calor residual.

5. Fiabilizar sem sobredimensionar

Um centro muito subcarregado degrada o seu PUE: as UPS e os chillers funcionam longe do seu ponto de rendimento ótimo. Dimensionar de forma justa, por módulos, mantém a eficiência em cada etapa da subida de carga.

07 — CFD

O papel da simulação CFD

Todas estas alavancas têm um ponto em comum: jogam-se na aeráulica e na térmica da sala. Ora, o olho não vê o ar. A simulação CFD (mecânica dos fluidos numérica) torna visível e quantificável aquilo que determina o PUE: campos de velocidade, de pressão e de temperatura em todos os pontos.

Reconstituindo um gémeo digital do centro de dados, a EOLIOS avalia o impacto de cada decisão antes das obras: posicionamento das unidades de insuflação, tipo de confinamento, temperatura de referência, cenários de avaria ou de onda de calor. Otimiza-se assim o arrefecimento — primeira rubrica do PUE — sem proceder por tentativas onerosas no local.

Campo de temperatura simulado numa sala de servidores
Simulação CFD de um centro de dados hyperscale
Campos térmicos e aeráulicos simulados por CFD — alavancas diretas do PUE.
O nosso saber-fazer

Do diagnóstico ao ganho de PUE quantificado

A CFD permite cartografar os pontos quentes, quantificar o bypass e a recirculação e depois validar numericamente as soluções (confinamento, temperaturas de referência, caudais) antes de qualquer investimento — para um PUE otimizado desde a conceção.

Especialidade: otimização energética & cálculo do PUE dos centros de dados
08 — Ferramenta

Calcule o seu PUE

Introduza a energia total consumida pela sua instalação e a energia dos equipamentos TI no mesmo período (idealmente 12 meses) para estimar o seu PUE, o DCiE correspondente e a parcela de energia não informática. Os botões propõem alguns perfis de referência.

Ferramenta interativa

Calculadora de PUE

Estimativa indicativa — um diagnóstico real assenta numa medição contínua ao longo de 12 meses (categoria 3).

Perfis:
PUE estimado
1,50
DCiE (eficiência)66,67 %
Parcela não-TI (overhead)33,33 %
VeredictoNa média
1,01,52,02,5+

PUE = energia total / energia TI, medidas no mesmo período. A energia TI não pode exceder a energia total.

09 — Ir mais longe

Os indicadores complementares

O PUE não diz tudo. Ignora a água, o carbono e a reutilização do calor. Uma leitura completa do desempenho de um centro de dados mobiliza, por isso, uma família de indicadores.

Principais indicadores de eficiência de um centro de dados, em complemento do PUE.
IndicadorMediçãoO que revela
PUEEnergia total / energia TIEficiência global da infraestrutura
DCiE1 / PUE (em %)A mesma informação, expressa em rendimento
pPUEPUE parcial de uma zonaEficiência de uma sala ou de um módulo isolado
WUEÁgua consumida / energia TIPegada de água (arrefecimento evaporativo)
CUECO₂ emitido / energia TIPegada de carbono da energia utilizada
ERE / ERFParcela de calor reutilizadoValorização do calor residual

O WUE tornou-se central: algumas estratégias que melhoram o PUE (arrefecimento adiabático) aumentam o consumo de água. Otimizar um centro de dados é, por isso, arbitrar entre estes indicadores — um trabalho em que a simulação ajuda a encontrar o bom equilíbrio.

10 — Precauções

As armadilhas de medição do PUE

Um PUE apresentado sem precauções pode induzir em erro. Eis os enviesamentos mais frequentes.

O PUE « marketing »

  • Valor pontual lido com tempo frio e carga ideal
  • Perímetro de medição vago ou vantajoso
  • Sem menção da categoria de medição

A subcarga

  • Um centro novo pouco preenchido apresenta um PUE degradado
  • Os equipamentos funcionam fora do seu rendimento ótimo
  • O PUE melhora com a subida de carga

O efeito clima

  • Forte dependência da meteorologia local e da estação
  • Comparar dois locais de climas diferentes é enganador
  • Só a medição anual atenua estes desvios

O ângulo morto TI

  • O PUE não julga a eficiência dos servidores
  • Servidores sóbrios podem « degradar » o PUE…
  • …reduzindo ao mesmo tempo o consumo total!

A boa prática: indicar sempre a categoria de medição, o período e o perímetro — e cruzar o PUE com os outros indicadores para uma imagem fiel.

11 — Enquadramento

PUE & regulamentação

Durante muito tempo voluntário, o acompanhamento do PUE torna-se progressivamente uma obrigação. Vários enquadramentos o regulam ou se lhe referem:

ISO/IEC 30134-2 & EN 50600

A normalização internacional define o PUE e a série EN 50600 estrutura a conceção e a exploração energética dos centros de dados.

EU Code of Conduct for Data Centres

Código de boa conduta europeu: fixa objetivos de PUE e um catálogo de boas práticas de eficiência energética.

Diretiva europeia sobre a eficiência energética (EED)

Introduz uma obrigação de reporte para os centros de dados acima de um certo limiar de potência, do qual fazem parte o PUE e o WUE.

Recomendações ASHRAE (TC 9.9)

Referência técnica mundial para as gamas de temperatura e de humidade admissíveis — base de qualquer arbitragem entre fiabilidade e PUE.

Além da conformidade, estes enquadramentos fazem do PUE um argumento concorrencial: clientes e investidores analisam agora a eficiência energética como um critério de escolha.

12 — FAQ

Perguntas frequentes sobre o PUE

O que é um bom PUE?
Um PUE próximo de 1,0 é ideal. Na prática, um PUE inferior a 1,4 é muito bom, um valor em torno de 1,5 a 1,6 corresponde à média mundial e um PUE superior a 2,0 revela um forte potencial de otimização.
Como se calcula o PUE?
O PUE é a razão entre a energia total consumida pela instalação e a energia consumida apenas pelos equipamentos informáticos, medidas no mesmo período — idealmente um ano completo, para integrar as variações sazonais.
Qual a diferença entre PUE e DCiE?
O DCiE (Data Center Infrastructure Efficiency) é o inverso do PUE expresso em percentagem: DCiE = 1 / PUE. Um PUE de 1,5 corresponde a um DCiE de cerca de 67 %.
Um PUE de 1,0 é alcançável?
Não, não na prática: todo o sistema de alimentação elétrica e de arrefecimento consome energia. Um PUE de 1,0 é um limite teórico do qual os melhores centros de dados hyperscale se aproximam (≈ 1,1).
Como ajuda a CFD a reduzir o PUE?
A simulação CFD torna visíveis os escoamentos de ar e as temperaturas da sala. Permite localizar os pontos quentes, quantificar bypass e recirculação e depois validar numericamente o confinamento, as temperaturas de referência e os caudais — otimizando o arrefecimento, primeira rubrica do PUE.
Um PUE a fazer baixar?

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